A Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas, através do seu Presidente Paulo Pereira, foi um dos Testemunhos presentes, no Livro “50 Anos de Autonomia da Madeira” – Testemunhos e Números, apresentado no dia 9 de julho, na Quinta Magnólia.


Testemunhos e Números, é uma edição da Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), produzida no âmbito da Estrutura de Missão para as Comemorações dos 50 Anos de Autonomia da Madeira.
O livro constitui um retrato da evolução da Região ao longo de cinco décadas de Autonomia, conjugando a memória de quem ajudou a construir esse percurso com os indicadores estatísticos que documentam as profundas transformações económicas, sociais e territoriais registadas desde 1976.
A obra integra testemunhos de 50 personalidades ligadas a áreas fundamentais para o desenvolvimento da Região, entre as quais ambiente, território, população, educação, cultura, desporto, saúde, economia, agricultura, pescas, energia, transportes, turismo, ciência, tecnologia e justiça.

50 Anos de Autonomia da Madeira – Testemunhos - Economia
Testemunho de Paulo Pereira: “Os próximos grandes saltos da Madeira exigem mais Autonomia e com ela, mais responsabilidade”


A Autonomia da Madeira representou a possibilidade de decidir mais perto das pessoas. Essa proximidade institucional permitiu acelerar investimentos estruturantes, modernizar infraestruturas e projetar a Região no exterior, criando um ciclo de crescimento que durante décadas não tinha sido proporcionado aos madeirenses.
Do ponto de vista económico, o percurso foi inegavelmente expressivo. A consolidação do turismo como principal setor exportador, a melhoria das acessibilidades e a evolução dos indicadores sociais demonstram a capacidade da Região para transformar limitações geográficas em verdadeiras vantagens competitivas.
Contudo, a Autonomia é um instrumento, não um fim. Os próximos saltos qualitativos exigem um reforço da autonomia fiscal e legislativa, condição essencial para adaptar políticas públicas à especificidade insular. Num contexto nacional e europeu crescentemente centralizador, este constitui um dos principais desafios estratégicos das próximas décadas.
Maior autonomia implica também maior responsabilidade: disciplina financeira, rigor na afetação de recursos e um ambiente mais favorável ao investimento privado, à inovação e à produtividade. A maturidade autonómica mede-se pela capacidade de criar riqueza de forma sustentável, reduzindo dependências e reforçando competitividade.
Importa igualmente reconhecer que nem todos beneficiaram de forma equivalente deste percurso. Persistem fragilidades sociais e desafios estruturais que exigem respostas eficazes. A experiência demonstra, contudo, que é através de uma economia mais dinâmica, mais aberta e assente na iniciativa privada — e não por via de soluções ideológicas ou de dependência permanente — que se criam oportunidades reais de mobilidade social e melhores perspetivas para as futuras gerações.
A Ordem dos Economistas tem procurado contribuir para o debate público regional, através de análise técnica e reflexão económica, acreditando que num território pequeno e aberto a qualidade das decisões é determinante para o seu sucesso.
Celebrar 50 anos de Autonomia é reconhecer o caminho feito; garantir os próximos 50 dependerá da coragem para aprofundá-la com responsabilidade.